Numa dessas manhãs no consultório
me peguei “em devaneios” enquanto atendia uma paciente que acompanho há alguns anos
para controle das taxas metabólicas, principalmente o colesterol e a
glicemia. Enquanto ela me relatava sobre
o procedimento que se submetera no dia anterior, eu me perdia pensando naqueles
exames e ao mesmo tempo observava a sua aparência, lembrava do seu histórico, e por frações de segundos sem me dar
conta de todos os detalhes que ela me expunha, eu me interrogava: Como podia estar tão
bem, tão saudável e com excelente aparência depois de passar por um turbulento
descontrole hormonal e picos hipertensivos? E eu mesma respondia às minhas indagações, meio que ouvindo os pormenores do preparo dos tais exames da minha paciente, pensei: A reeducação alimentar e o exercício
físico foram constantes na vida desta paciente depois que teve o tal descompasso
metabólico, e mesmo sem se abster de
guloseimas nos fins de semana ela conseguiu reequilibrar suas taxas
sanguíneas entre a normalidade e o limítrofe. Naquele momento me senti feliz!
Estaríamos então “livres” da tirania dietoterápica?
Baseada neste questionamento vou
discorrer sobre o assunto pegando como base o acompanhamento de um estudo de caso
que me custou 1 ano.
Pequena introdução
As estatísticas tem demonstrado que as doenças coronarianas em mulheres
na faixa etária entre 40 e 55 anos vem crescendo absurdamente nos últimos anos,
estima-se mais de 200 casos de infarto por dia no Brasil. Levando em
consideração que os infartos em mulheres são 50% mais fulminantes, a minha
“cobaia” escolhida foi uma mulher nesta faixa etária. Vou chamá-la de Linda,
meu estudo de caso.
Os parâmetros?
Mulher com faixa etária entre 40
e 55 anos.
Predisposição genética para doenças coronarianas.
Alimentação saudável e exercício físico regularmente.
Consumo semanal (1 vez/semana) de guloseimas e petiscos.
Exames de sangue no início e no final do estudo.
Duração de 1 ano.
Predisposição genética para doenças coronarianas.
Alimentação saudável e exercício físico regularmente.
Consumo semanal (1 vez/semana) de guloseimas e petiscos.
Exames de sangue no início e no final do estudo.
Duração de 1 ano.
Primeiro exame foi em 14/04/2014
IMC- 18%
Glicose- 94
Colesterol LDL- 121 mg/dl
Triglicerídeos- 93 mg/dl
IMC- 18%
Glicose- 94
Colesterol LDL- 121 mg/dl
Triglicerídeos- 93 mg/dl
O meu estudo de caso, a Linda. carrega uma
carga genética importante para doenças coronarianas. Mãe, irmão e tio são portadores de diabetes tipo 2, avós e outros tios são cardíacos (um tio sofreu infarto
fulminante), e todos tem colesterol alto e hipertensão. Por estas fortes
influências genéticas Linda resolveu se cuidar, ela é uma paciente dedicada,
controla suas taxas e seu peso, IMC 18%... Tudo certo com ela? Mais ou menos,
seu perfil lipídico sempre esteve perigando no limítrofe...
Por este motivo escolhi esta
paciente para comprovar uma teoria... E ela concordou em ser cobaia de uma
nutricionista que sonhava ser cientista.
Se tudo estava certo com a
alimentação e se a minha cobaia praticava exercícios regularmente 3 vezes na
semana, então pensando nisso decidi testar aquilo que todo mundo que faz dieta esconde, os tais excessos alimentares ditos como
“calorias vazias”. Uma vez comprovada minha teoria, as guloseimas não seriam mais
pecado capital quando consumidos moderadamente.
Tudo começou com minha proposta à
Linda sobre acompanha-la durante um ano com uma alimentação regrada incluindo 5 a 6
refeições diárias contendo fibras, hortaliças diversas, frutas, arroz, feijão,
fibras, alimentos integrais, iogurte e controle do sódio e do açúcar. Para complementar os pré-requisitos ainda a prática de qualquer atividade
física 3 vezes na semana com duração de 1 hora, nada rígido.
O desafio
Para comprovar a minha teoria Linda terá que manter as taxas sanguíneas, peso e IMC equilibrados
e adicionar semanalmente (apenas 1 vez na semana) qualquer tipo de excesso que
ela quisesse, como doces, pastel, frituras, cerveja e o que mais sentisse
vontade de comer sem exageros na quantidade. Além disso, ela incluiu por conta
própria 1 fatia de presunto e de queijo prato diariamente no lugar do peito de peru e do do queijo branco.
Resultado da minha teoria
Linda teve um perfil perfeito
para comprovar este estudo de caso: É
possível dar umas escapadas de “pé na
jaca” sem afetar as taxas sanguíneas e o IMC?
A conclusão a que cheguei pode ser óbvia demais, mas sim os exames comprovaram que é
possível manter a saúde desde que o estilo de vida seja exemplar com alimentação equilibrada e exercício físico frequente.
No entanto, para ser considerado um estudo científico deverá ser testado em mais indivíduos.
Em casos de obesidade severa e/ou doenças crônicas a dieta deve ser mantida rigorosamente de acordo com as recomendações médicas e nutricionais.
No entanto, para ser considerado um estudo científico deverá ser testado em mais indivíduos.
Em casos de obesidade severa e/ou doenças crônicas a dieta deve ser mantida rigorosamente de acordo com as recomendações médicas e nutricionais.
Segundo exame foi em 02/04/2015
Peso- mantido
Glicose – mantida- 86 mg/dl
Perfil lipídico- mantido
Colesterol LDL- 128 mg/dl
Triglicerídeos- 73 mg/dl
Perfil lipídico- mantido
Colesterol LDL- 128 mg/dl
Triglicerídeos- 73 mg/dl
Uma revelação!
A Linda, minha cobaia, sou eu.
Faz mal ao coração: Açúcar, sal, cocaína, depressão, problemas emocionais, genética.
Faz bem ao coração: Otimismo, alegria, fé, notícia boa, amigos, alimentação saudável,
exercícios.